quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O verdadeiro significado da força de vontade

Tudo fica pequeno diante da força de vontade do ser humano. Não a quem há impeça, não há quem a segure. Ela é inexplicável, resistente e sobrenatural. Somente algumas pessoas têm o dom de carregá-la. Pessoas que inconscientemente desenvolvem uma energia capaz de mover montanhas. Uma força dinâmica transparente, que vai crescendo e se fortalecendo até tornar-se inquebrantável.

Após assistir ao show ao vivo de Pedro Ortaça e família, na Expo São Luiz 2008, foi sensível perceber o verdadeiro significado da palavra força de vontade. Quando Alberto, o filho mais novo da família de músicos entrou no palco, ficando diante do microfone, aos olhos de um imenso público, voltado a uma emoção carregada de sentimentos, descobri o quanto o ser humano é apto a derrotar o inacreditável. Para quem não sabe, Alberto foi vítima de um acidente de carro no dia 14 de maio de 2005. Seu caso foi considerado irreversível. Entre a vida e a morte, a família Ortaça travou um período de lutas diárias, carregada de sofrimento e esperanças.

Mas o que salvou Alberto? A ciência e a medicina são consideradas as responsáveis por devolverem a vida ao músico, depois de mais de seis cirurgias. Porém, somente a força de vontade da família permitiu que isso acontecesse. Pedro, Gabriel, Marianita e Rose, passaram por uma prova de resistência. Em um momento de dor, era hora de unir forças e buscar a recuperação. Quando tudo parecia perdido, a família mostrou uma garra em desordem, uma união que nem eles sequer imaginavam que existisse. “Não era hora de chorar. Nós tínhamos que buscar soluções, manter o controle e a família unida”, disse Rose em uma entrevista. Hoje, quando vemos Alberto Ortaça de volta aos palcos, é impossível não se emocionar. Enxergamos uma música cantada com paixão, garra e otimismo. Enxergamos a força de vontade caminhando pelo palco, como o melhor símbolo a pairar sobre a família Ortaça. Visualizamos que aquele afeto e apego, tem mais nomes do que amor à pátria ou ao tradicionalismo. É a união desta família, incondicionalmente retratada na força de vontade de cada um deles.

Exemplos como esses, não são tão difíceis de se encontrar. Luigi Sartori, 10 anos, da cidade de Santo Antônio das Missões, sofria de uma doença congênita degenerativa rara, situação que só podia ser controlada mediante um transplante de medula. Atualmente, ele está operado e quase pronto para levar uma vida tranqüila. Até o ano passado, esta realidade parecia inatingível, uma vez que a chance de encontrar um doador compatível chegava a um em 100 mil, devido à diversidade genética da população brasileira. Arlete, sua mãe, também travou uma batalha contra o tempo. Mobilizou cidades, movimentou pessoas e foi atrás de um doador por todo o Brasil. Era um duelo sem horário para acabar. Noite e dia já não faziam mais diferença. Seu filho era o objetivo maior, meta e seu motivo de viver.

Esta força de Arlete e da família Ortaça do qual estou falando não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável, de superação e otimismo. Eles não se sentiram incapazes de tentar salvar a vida de seus filhos. Foram à guerra e conseguiram vencer. Que isso sirva de lição para todos nós, em qualquer ocasião. As pessoas que acreditam que são incapazes simplesmente nem tentam. Pessoas assim deixam-se levar, vivem à deriva, sem controle, sem metas e sem resultados. Lembre-se sempre, a tua pretensão move mundos, está nela a tua garra, a tua direção. O segredo da força? Está na vontade!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Escolha errada, resultados corretos.

Quem nunca se perguntou ainda criança: “O que quero ser quando crescer”? E quem desta maioria, soube responder a pergunta? A vida ensina a encontrarmos o que realmente nos faz feliz. É o tempo que molda nossos pensamentos e leva a encontrarmos as respostas para perguntas como essas. Aos 17 anos, após concluir o Ensino Médio, temos que assumir a responsabilidade de escolher a profissão que seguiremos pelo resto da vida. Complicado, não? Tão complicado para uma idade em que se tem pouca maturidade e visão de mundo.
E no meio deste bombardeio de informações, onde é preciso estar atualizado e acompanhando esta transição de um tempo para o outro, não queremos ficar para traz e quanto mais cedo na universidade, melhor.




Longe das grandes capitais que oferecessem cursos do meu gosto como Rádio e TV e cinema, tive que optar pela graduação de Publicidade e Propaganda, em uma cidade vizinha. Viajo todos os dias de ônibus até Ijuí para assistir aulas do qual me interesso muito pouco. Não sei se é resultado do cansaço do trabalho diário que carrego ou se é por falta de interesse. A única coisa que tenho certeza, é que se me perguntasse hoje o que quero ser quando crescer? A resposta não seria: Publicitário.

Encontro-me em uma universidade particular e financio metade do curso. Sinto frios na barriga só de pensar que terei anos pela frente após formado, para pagar a outra metade financiada. Vou carregar esta bucha durante dois, três, quatro anos. Se arrependimento matasse, eu não estaria morto, acredite, porque eu não estou arrependido. Embora tenha feito à escolha errada, vejo as várias possibilidades em especializações que a publicidade apresenta, até mesmo na área de TV, rádio e cinema. É por isso que a encaro como uma aprendizagem a mais no meu currículo.


É um investimento alto, audacioso, cruel e causador de insônias. Esta tal de universidade engole grana o tempo todo. Mas se não investirmos em nós mesmos ou apostarmos nos nossos sonhos, a vida não terá a mínima graça. O que vale é arriscar, sem medo!
Afinal, esta escolha errada me levou a conhecer um lado diferente da vida, que talvez eu nunca entendesse. Por elas, passaram pessoas, viagens e conhecimentos que traduzem grande parte de minha ideologia. Escolhas erradas, resultados corretos. Como diz Pedro Bial, “não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois, o que queriam fazer. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem”.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Eu já sou tio.... CORUJA!!

Para as crianças o instante existe e a vida está completa. Seus olhares são os mais atentos a qualquer banalidade. E surpreendem-se com qualquer bobagem da vida, gestos, atitudes. Eles são a alegria da casa e nos tornam admiradores por completo.

Aqueles que ainda não sabem, Matheus Duarte Sommer, três anos, é filho da minha irmã Francielle com seu marido André e me fez tio nestes últimos anos. Atualmente eles residem no Estado do Pará, em Marabá e por este motivo costumo dizer que parte da minha vida parece incompleta, com sua ausência. Ficou claro o tio coruja assumido, cheio de saudades e histórias para contar. “Mateka”, como chamamos, é uma criança mais que especial. Juro, não é porque sou coruja. Ele é inteligente, sapeca, risonho e parecido com o tio, óbvio.

Desde o seu nascimento, a nossa família nunca mais foi à mesma. Havíamos perdido há pouco tempo o nosso pai, e aquele presente de Deus, parecia que havia chegado para recobrir a esperança dos nossos dias, unindo ainda mais a família. Admito que desconhecia o papel de ser um bom tio. O que fazer? Como ser? Como Agir? Estava “debutando” e de praxe queria me tornar o melhor tio do mundo, não pelo simples fato de ser o único, mas pela expectativa que me aguardava, e deste amor que já existia, mesmo antes dele existir. Troquei poucas fraldas, mas passei muitas noites em claras.

Engraçado que tudo parecia mais interessante na minha vida. Tinha mais ânimo para trabalhar, ir à faculdade. Aquela experiência única estava me fazendo descobrir as coisas mais simples da vida. Todo dia era uma novidade diferente. As fases do Matheus iam nos revelando experiências fascinantes. Observar seu crescimento, nos permitia gargalhadas intermináveis, momentos de emoção constante e preocupações que nunca terminavam. Sentimentos que até então eu desconhecia como tio. Por ser muito esperto e inteligente, o cuidado era redobrado. Teve um domingo que ele apanhou a chave do carro da mesa, aproveitou que o automóvel estava aberto e resolveu dirigir literalmente. Bateu o carro na parede da garagem e mesmo assim não chorou. Estou até imaginando o Matheus falando daqui alguns anos: “minha primeira batida de carro foi com três anos de idade.


Longe ou perto, continuo o tio coruja e babão de sempre. Quando não nos falamos pelo telefone, tento matar a saudade através das fotos ou dessas lembranças. É notável que os laços continuam firmes. E estes laços jamais serão desfeitos por causa da distância. Eles tendem a ficar mais sólidos com o tempo, como uma prova definitiva e exata de que família é para sempre. Com o meu sobrinho Matheus eu renovo minha esperança e reabasteço minha energias perdidas. Ele é a nossa maior riqueza, a nossa maior herança. Mas como cuidar de uma herança? Geralmente as pessoas desperdiçam, não investem tempo e deixam entregue à sua própria sorte. Se você é tio, tia, mãe, pai, aproveitem o tempo, permitam conhecer suas heranças. As crianças representam o futuro da vida, da paz e a esperança de dias melhores.
Babei?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O protagonista e seu aniversário

Bem que me disseram que depois dos 20 anos, o tempo passa mais rápido. É como a areia escapando nos vãos das nossas mãos. A gente tenta não se preocupar com o tempo mas é inevitável. Todo ano, é aquela “comemoração”, com gostinho de preocupação. Mas se os anos que passam são bem vividos e se você sente-se protagonista de sua história, o sinal é verde! Avance sempre que puder, lembrando-se de quem você foi no passado, compartilhando o hoje, sem reclamar do futuro. Afinal, o jeito é levar a vida na graça... e relaxar, pois ninguém sairá vivo desta. (que profundo, Oo).

Tem uma frase que é mais ou menos assim: “durante todo o ano, a gente tenta se acostumar com a nossa idade e de repente vem um dia e muda tudo, completamente”. Pois o meu dia chegou. Mudo mais uma vez, agora para a versão 2.2. Mas quem disse que mudar é uma coisa ruim? Eu considero a mudança um avanço dos bons. É sinal de que você vem aprendendo, evoluindo, crescendo e se adaptando. Adaptação para os novos projetos, novos amores, trabalhos e desafios que te esperam. Adaptação é uma coisa que o ser humano consegue lidar, se sentir-se, claro, protagonista da sua história. Pois não adianta ser um mero espectador e ver a vida passar, você será mais uma vítima da depressão e da normalidade. Bebemorar a idade nova ao lado de amigos e familiares é uma coisa fundamental. Então suponho que fazer aniversário não seja tão ruim assim. Sem falar que alguns ainda lembram do presente, embora aja crise econômica, ou desse gesto ter se tornado coisa do passado. Presente é bom, mas comemorar a idade nova na folia e na diversão é muito melhor. Já pensou você sozinho em casa, sem ninguém para comemorar, beber, dançar, conversar... Já pensou? Isso sim seria um dia dramático, pra se olhar no espelho e gritar: to ficando velho e por conseqüência, esqueceram de mim! Mas se você for protagonista da sua história, isso jamais vai acontecer. Acredite!

Idade nova causa dor de cabeça. Nem que seja por dois minutos. O dia pode ser longo ou rápido demais. Nos dois casos, a dor de cabeça vai te pegar da mesma forma, principalmente nesta fase em que somos jovens, cheio de vontade e que estamos dispostos a abraçar o mundo. Paramos por alguns minutinhos para refletir. Coisas boas, coisas ruins. É desta dor de cabeça que estou falando. Fazer aniversário também permite reflexão, bem menos que final de ano ou natal, é claro. Mas consecutivamente é bom refletir, sinal verde, mais uma vez. Acredite, se o dia for longo, você continua espectador. Se já for outro dia, e o tempo passou rápido e você nem notou, considere-se um protagonista.

A palavra protagonista segundo o dicionário Aurélio, é um herói, um ator principal, um herói de novo. Sobre ele a trama é desenvolvida. As principais ações são realizadas por ele ou sobre ele. No entanto, por que falar em protagonista, se o assunto é aniversário? Ou seria o contrário? O importante é chegar à idade nova sentindo-se protagonista da sua história, se deparando com os altos e baixos, agradecendo suas conquistas, oferecendo atenção para os que estão ao teu lado e mantendo a vitalidade de sempre e a alma jovem. Permita-se aprender todos os dias, com humildade e intuição. Avalie se os seus anos estão valendo a pena. Descubra o que aprendeu com o ano que passou. Perdoe, ame, festeje, chore, invente, sorria, grite, seja feliz e viva! Sempre é tempo de mudar. Como disse o eterno Chico Xavier, “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. Eu sou protagonista da minha vida, e você?
OBS: Não esqueçam dos presentes!!!!!!!!!!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Era uma vez numa cidade maravilhosa...

Esqueça o que os jornais estão dizendo. Evite os noticiários ruins na televisão, não de bola para o sensacionalismo que insiste em transformar a imagem do Rio de Janeiro em sinônimo de violência e bandidagem. Agora não esqueça, não evite e dê muita bola. Permita conhecer a civilização da cidade maravilhosa. Descubra no carioca, a malandragem que te faça sorrir noite e dia, a hospitalidade que te surpreenda em uma época de guerra de valores, em que tudo é dúvida. Não sei se eu tive a sorte de topar com tanta gente legal, em julho(2007), dezembro a março de 2008, quando estive estagiando no Canal Futura, na capital do Rio. Ou se a estadia na cidade maravilhosa me fez descobrir tanta gente bacana por aí no Brasil. A história começou em julho de 2007, com o Geração Futura. Mas este capítulo fica para uma próxima postagem.

Saudosos moradores do Rio de Janeiro. Basta ouvir as conversas cariocas no bar sofisticado como a do botequim pobre e sujo, por isso mesmo sofisticadíssimo, a do living-room granfa, a da bohemia, a da praia e do agito total da Lapa. É o humor, a graça, a aventura e a saudade a ser lembrado. Aquele gaúcho que chegou para ficar no bairro do Rio Comprido, Zona Norte do RJ, de mala e cuia, sem teto próprio. Claro, porque as possibilidades eram tantas. Fui recebido pela segunda vez com tanta alegria que me senti em casa. De passagem, não queria incomodar ninguém por muito tempo. E como seriam quatro meses morando no Rio, eu necessitava de um teto, é lógico.

Foi então que me instalei em um conjugado, que na minha concepção estava mobiliada a minha espera. Quando cheguei, avistei a peça vazia, sem cama, sem sofá, sem TV, sem nada. Era eu e a peça. À noite e a chuva. A raiva e o riso. E a cidade maravilhosa. Passei uma noite inesquecível. Detalhe: não queria incomodar ninguém. Poderia muito bem ter ligado para os meus amigos. Só que estava achando aquilo divertidíssimo. De verdade, principalmente porque a minha independência gritava. No outro dia, já conhecia a vizinhança e numa boa recepção, em uma semana o meu pequeno AP já estava mobiliado. Eram os cariocas que haviam montado para mim.

Mas esta solidariedade indiscutível não foi somente o que me trouxe até aqui para escrever sobre eles. A boemia, é claro, também nos faz lembrar. Foram tantos finais de semana curtidos nos arcos da Lapa. Aquele som misturado, com todas as tribos e culturas. Dias em claro, nas pedras do Arpoador. Nada mais bonito que aquela vista. Ver o sol nascer nas pedras do Arpoador ao lado de grandes amigos não tem preço. Dormir nas areias de Ipanema depois de uma grande festa, mais ainda! Conhecer o Cristo Redentor, o aterro do flamengo, tomar banho de cachoeira na Floresta Tijuca e vários outros programas como um típico turista . Pular o carnaval na Sapucaí sem ter hora para voltar para casa; E assistir de perto o lindo reveillon em Copabacana, ao lado da carioca que deixou os amigos para mostrar o melhor da cidade em plena virada de ano. Sim, passei o natal e o reveillon sem minha família, mas posso confessar que ganhei uma segunda. Esta galera me acolheu e sou grato a todos vocês. Minha vida inteira em tão poucos dias valeram por momentos que duraram o tempo necessário!

Esta hospitalidade fora do normal, este jeito de levar a vida na graça e na folia, apesar do ritmo frenético e alucinante da cidade, vão ficar guardados na memória. Seus filhos da mãe! Vocês são foda! Só mais uma coisa. Quero deixar registrado a admiração que o povo carioca tem pelo gaúcho. Eles nos admiram pela paixão que temos pela terra, pelas nossas tradições. Muitos deles sonham em morar no Sul. E que esta paixão sirva para o gaúcho admirar o carioca da mesma forma. Cada um de vocês que eu conheci, me fizeram querer e desejar voltar mais vezes ao Rio de Janeiro, seja para passear, morar, relembrar os velhos tempos ou para criar mais um Era uma vez. Filhos da mãe... tenho saudade de vocês! Porra!!


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Eu faço cinema!

Queria contar nos dedos às pessoas que fazem com paixão e vivem a maior parte do seu tempo dedicados a uma determinada profissão. Eu, particularmente, exerço múltiplas funções. Sou estudante, repórter, editor e aprendiz de cineasta. Esta última, a mais importante, sem sombra de dúvida. Mas prefiro levá-la como atividade prazerosa, do que considerá-la uma profissão. Afinal, fazer cinema é como se fosse um lazer para mim. Poderia deixar de almoçar, sair com os amigos, dormir, beber... para pegar uma câmera e filmar aquela história que projetei na escrita. E esta paixão começou desde cedo. Mas saibam que não se trata de uma paixão passageira, destas de amores que vem e vão ou considerações que se perdem com o tempo. É uma paixão que vou levar para a vida toda.

Faço cinema sim, desde os meus 15 anos. E comecei a gostar desta atividade, quando me tornei fã número da famosa série Scream - Pânico, do mestre Wes Craven. Não é atoa, que o “O Quinteto”, meu primeiro filme e longa - metragem tenha sido inspirado nesta obra. Quero lembrar a todos, que moro na fronteira, bem no interior do RS. Naquela época, em meados de 2002, não existia profissionais da área e as gravações eram todas feitas em VHS. Quando me posicionei frente aos meus colegas e conhecidos, decidido que queria filmar um filme em São Luiz, pode-se imaginar que todos eles não acreditariam que isso seria possível. Louco, sonhador, maluco, desocupado. Do que mais me chamaram? Se você foi um deles, tente me recordar dos tantos nomes.

Na verdade, era uma idéia ousada sim, mas não impossível. O que é impossível?
O jeito foi compartilhar minha pretensão maluca com os amigos mais chegados, aqueles que te acompanham em tudo. Juntamos um boa galera e fomos a luta. De espada a armadura. Com 300 pila no bolso e um cinegrafista de uma pequena produtora, o “Carlão”, fizemos o filme acontecer. Jamais irei esquecer a imensa fila no dia do lançamento, que dobrava duas quadras da praça central de São Luiz Gonzaga. Jamais vou esquecer também das críticas após a exibição, é claro. Eram mais críticas, do que elogios. Foi aí que descobri a dura realidade que acabara de me lançar.

Fiz o segundo filme, “Jovens em Pânico”, uma seqüência de O Quinteto, resguardando os sobreviventes do primeiro filme nesta continuação. Agora, com duas produtoras envolvidas e mais gente no elenco. É claro que depois do primeiro, as pessoas viram que a coisa não era brincadeira e que iríamos continuar. Bonito foi ver as crianças e alguns jovens acompanhando a seqüência do filme, querendo saber sobre o futuro dos personagens, se iriam sobreviver ou como iriam ficar. A minha idéia maluca estava dando certo. E deu tão certo assim, que outros aspirantes de cinema começaram a seguir a idéia e a produzir mais filmes na cidade. Surgiram mais longas em São Luiz, curtas em Santo Antônio das Missões e região. Tanta gente querendo aprender o ofício. Magnífico. Fico orgulhoso de ter me tornado o pioneiro do cinema na região das missões ou até mesmo do Sul, se tratando de longa – metragem ou pelo simples fato de ser um jovem.

Tempo passa.. entrei para faculdade de publicidade e acabei aprendendo um pouco da área. Faz sentido, porque é uma profissão relacionada de alguma maneira com o cinema. Me tornei instrutor do curso de audiovisual na cidade, a convite dos coordenadores do Ponto de Cultura e começamos a produzir mais e mais. Agora com muito mais maturidade e idéias elaboradas, visões de mundo e leitura.
Mas aonde eu queria chegar com a postagem de hoje era exatamente no nosso último filho do cinema : “O Caso Sócrates”, um roteiro que havia inscrito há quatro anos e só pude realizá-lo nestes últimos meses. E não é que o projeto engavetado saiu da gaveta e rendeu bons frutos? Na última semana, ele foi exibido em um dos mais importantes festivais do Brasil, o 36º Festival de Cinema de Gramado, sendo classificado na mostra não competitiva da AGAUVI. Daria para imaginar?


Isso é só o começo. Temos muito que aprender. As maiores obras pertencem aqueles que se atrevem a passar noites em claras, finais de semana de trabalho e dias e mais dias estudando para ver seus planos se concretizarem. Porque cinema é isso. É envolver pais, amigos, vizinhos, é trabalhar em equipe e valorizar as coisas simples. Inconscientemente todos ao meu redor, fazem cinema . E nada mais gratificante do que você conseguir mostrar que as possibilidades mais impossíveis podem se tornar reais. E eu agradeço à todos aqueles que participaram comigo destes projetos, sem vocês eu não seria nada!
Às vezes, as pessoas não executam algum plano porque imaginam que jamais conseguiriam. Mas a gente pode mostrar exatamente o contrário. Geralmente podemos e tentar fazer é o mínimo que devemos esperar de nos mesmos. Eu faço cinema galeraaa, e com paixão...sempre
!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Tempos de escola...

Atire a primeira pedra quem discorde que os tempos de escola não estão entre os melhores momentos da nossa vida? Os primeiros amigos, os primeiros amores, as primeiras conquistas, dificuldades, lutas, decepções, aquela sensação de liberdade, ou que o tempo parou para você ser quem você quiser, sem preocupação ou compromisso algum.
É claro que nem todo mundo mantém boas lembranças em tempos de escolas. Não é o meu caso. Poderia passar horas descrevendo tudo que vivi desde o primeiro dia que coloquei os pés na escola, até o momento em que recebi o canudo de conclusão. E olha que a gente só guarda na memória as boas lembranças, ou aquilo que nós doutrina como algo marcante e imortal. Como disse um amigo meu, lá do Rio de Janeiro, tentando explicar coisas do tipo: porque o cérebro armazena apenas algumas coisas? A resposta: seja na aula, na rua, no trabalho, ou em uma palestra que você está assistindo. Jamais anote nada em um papel, achando que um dia vai ler para recordar ou se importar. Afinal, é a cabeça que guarda o que achamos importante. E o que é importante, é o que vale para o ser humano. Faz sentido.

Eu, particularmente, sempre fui um tipo de aluno... diferente. A escola inteira achava que eu era um bacaca, metido a besta e filinho de professora. Ahh este “mal eu sofria”, ser filho de professora. Fui condenado até o último dia de aula e as frases martirizadas eram sempre as mesmas: ai, porque ele filho de professora e pode fazer aquilo, ai porque o filho da dona cleni(nome da minha mãe”) tem que ser um exemplo para todos. Coisa da cabeça deles, rs! Odiava ser tachado por isso. Até porque eu poderia me aproveitar desta situação em vários momentos. Mas tava nem aí.. Meus dias de escola eram dedicados a fazer acontecer ao lado dos meus amigos.

Para quem não sabe, Rui Barbosa era o nome da minha segunda casa. Foi ali que aprendi a ser gente. Aos seis, aos sete, aos oito... nesta fase eu conheci os amigos com quem eu dividiria tudo que a infância poderia oferecer de melhor. O quarteto inseparável: Alex, Glauco, Ricardo e Maurício. Impossível não citar o nome de vocês. Desde pequeno nós já éramos líderes natos, movimentando a sala de aula e a escola, com as nossas invenções malucas. Até um casa em um árvore a gente construiu. Isso já aos dez, aos 11, aos 12, o chamado clube “Mortal Kombat”. Jonny Cage era o meu personagem. Ilário!

Não bastavam estas invenções, queríamos registrar nossas idéias e ganhar dinheiro com elas, é claro, através de um jornalzinho estudantil. Lembram? Vendíamos o dito cujo por toda a escola. Às vezes aproveitávamos à boa fé dos professores e a comercialização era feita em horário de aula. Uma gazeação politicamente correta. Depois de jornaleiros, nos tornamos conhecidos por toda a escola. De líder de sala de aula, para integrantes do Grêmio Estudantil, mas isso é outra história...

Aos 13, aos 14, aos 15. Ah..nossos primeiros amores. A primeira namoradinha, as festas juninas e as confusões por causa “delas”. Foram tantas! A turma ia aumentando e o engraçado que a gente nunca se separava. Éramos unidos ao extremo. Mas como nem tudo era pra sempre, os amigos iam se renovando, enquanto outros partiam. Era uma época de descobertas, queríamos experimentar a liberdade e defender nossas idéias a todo custo. Neste tempo, fomos chamados de ovelhas negras da escola. Bardeneiros. Enquanto alguns nos detestavam, outros nos admiravam, ou ficavam na defensiva.

Aos 16, aos 17. Tantas recordações. Queria poder reviver cada uma delas. Quando chegou o terceiro e último ano de aula, parece bobagem. Mas ninguém queria que o ano acabasse. A união da turma 303 não se explica aqui. Só quem foi professor ou integrante desta sala de aula sabe do que estou falando. Não havia divisões de grupos. Éramos amigos para toda obra. Seja para bater panela na frente da escola ou simplesmente para uma festa, um trabalho em grupo.Tempos de escolas são para sempre, se é que esta palavra existe. Em 2010, a turma 303 do qual eu estou falando, estará novamente reunida. A maioria destes ex - alunos estarão com uma profissão engajada, outros com filhos e a maioria com grandes histórias para contar. Nao preciso dizer que será um grande encontro. Ainda bem que existem as fotos, os cadernos, os presentes de recordação de cada época. Mas mesmo se isso um dia acabar, ainda teria o cérebro pra relembrar. Realmente, os bons momentos são bem guardados, não importa o quanto tempo durem. Eles sempre irão existir. Enquanto houver lucidez, é claro!